Matriz de São Bento

Patrimônio Histórico (não tombado)

Matriz de São Bento

Historiadores cajuruenses descreveram a trajetória da edificação da Igreja Matriz, na qual o papel de protagonista da família Barbosa de Magalhães, que se fez presente no sertão do Rio Pardo a partir do ano de 1728, se faz fundamental na construção histórica do município.

Na petição ditada por Carlos Barbosa de Magalhães Neto e enviada ao Bispado de São Paulo, um dos argumentos para a fundação de uma capela em Cajuru, relacionava-se a "grande distância" que havia entre Cajuru e Batatais para onde os cristãos tinham que se deslocar para cumprirem suas obrigações participando dos Ofícios Divinos.

Somando-se a outras razões não menos importantes, tornou-se uma necessidade fundar a pequena capela entre a Fazenda das Lages (propriedade da viúva de José Barbosa, Dona Maria Pires de Araújo e seus filhos) e a Fazenda Cubatão (antiga sesmaria do sogro de Dona Maria Pires, ocupada por sua irmã Joanna Pires de Araújo, casada com Carlos Barbosa de Magalhães Júnior).

Passados cerca de 3 meses do envio da petição, chega a resposta do então bispo de São Paulo, Dom Matheus de Abreu Pereira autorizando a fundação de uma capela entre as Fazendas das Lages e Cubatão, dedicada ao Abade Bento de Núrcia.

Após a autorização do bispado, em 14 de maio de 1821, os "barbosas" decidem adquirir de Domingos Francisco Alves, as terras propícias à edificação e doá-las para a Capella de São Bento e Sancta Cruz. Inicia-se então a construção da capela e, em 1866 ainda restava assoalhar os seus corredores. Foi um processo longo e de difícil execução.

Com o passar dos anos e a depreciação da então matriz, por volta do ano de 1905 foi nomeada uma comissão para discutir o projeto de construção de uma nova matriz para a paróquia de São Bento.

Segundo se depreende da obra Ora Et Labora (Rafael T. Coelho, 2018, pág 75), "em 21 de outubro de 1906, domingo, às três horas da tarde, no Largo da Matriz de Cajuru [...] o Padre Nicolau Paraggio benzeu a pedra fundamental, conforme cerimônia prescrita no Ritual Romano, e a depositou no lugar a ela destinado, fixando-a com cimento e argamassa."

E então, no primeiro dia de junho de 1924 é inaugurada a atual igreja Matriz de São Bento, sendo que às vésperas se via na primeira página do jornal "A Voz do Povo", edição 196, um belo retrato da recém-construída  Igreja Matriz ao lado do poema de Mattoso Câmara denominado "Nova Matriz" (op. cit. pág. 86) aqui transcrito:

Como um astro a fulgir, eleva-se o teu vulto

Em torno dominando a cidade serena;

Vigilante atalaia ao bem do nosso culto.

Attenta como o olhar de um gladiador na arena.

 

Em teu seio darás conforto aos que te amam.

Vicejarás o amor aos corações dos crentes,

E, sob a mesma luz que os teus raios derramam,

Escudarás o forte, o pequeno e os doentes.

 

Teu tecto cobrirá com o mesmo carinho,

Cheio do mesmo affecto e da mesma clem^ncia,

O mendigo que morre à margem do caminho,

O potente que expira à sombra da sciencia.

 

Em ti, como às arestas nuas de um rochedo,

O absurdo das crenças vesgas que te ferem,

Virão se esfacelar, tonto de espanto e de medo,

Ao clarão divinal que os teus dogmas desferem.

 

Texto - Diretoria de Turismo, Márcia Carvalho, Diretora - 2023

 

Referência bibliográfica:

COELHO, Rafael Teruel. Ora Et Labora: o bicentenário da carta de doação de terras à Capella de São Bento e Sancta Cruz do Cajuru: (1821 - 2021), 1. ed., Editora e Gráfica São Francico, Ribeirão Preto, 2018.

 

Acervo fotográfico:

Gumercindo Saraiva Ferreira Neto

Márcia Angélica da Silva Carvalho

Prefeitura Municipal de Cajuru

 

 Via Crucis em Marchetaria:

Lelio Favareto

 

 

 

 

 

 

 

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